Letterboxd entra na mira de gigantes do entretenimento
O Letterboxd, rede social dedicada aos amantes do cinema, está no centro de uma possível negociação que pode superar US$ 300 milhões. Entre os interessados na aquisição estão o jornal americano The New York Times e o estúdio A24, além de empresas como Netflix, Sony Pictures e Paramount.
A holding canadense Tiny, que adquiriu 60% da plataforma em 2023, estuda vender sua participação majoritária. O processo é conduzido pelo banco de investimentos LionTree, mas ainda não existe um acordo confirmado.
Como o Letterboxd se tornou um negócio milionário
Fundado em 2011, na Nova Zelândia, pelos designers Matthew Buchanan e Karl von Randow, o Letterboxd começou como uma plataforma para registrar filmes assistidos, publicar críticas, atribuir notas e compartilhar listas de recomendações.
O serviço ganhou popularidade durante a pandemia e passou de 1,8 milhão de usuários em 2020 para mais de 30 milhões em 2026.
O crescimento transformou a comunidade de cinéfilos em um negócio atrativo para empresas interessadas em entretenimento, publicidade e assinaturas digitais.
A24 e New York Times entram na disputa
O interesse da A24 e do The New York Times amplia uma lista de possíveis compradores que já incluía Netflix, Sony Pictures, Paramount, as gestoras RedBird e TPG e Alexis Ohanian, cofundador do Reddit.
Em julho, o valor estimado para a negociação era de aproximadamente US$ 250 milhões. Com a entrada de novos interessados, a avaliação pretendida ultrapassou US$ 300 milhões.
O New York Times informou que avalia regularmente oportunidades de investimento, mas não confirmou negociações específicas. A A24 também não comentou publicamente o assunto.
Independência das avaliações preocupa a comunidade
Uma possível aquisição por um estúdio de cinema levanta questionamentos sobre a independência do Letterboxd.
Caso a plataforma seja comprada por empresas como A24 ou Sony, seus proprietários também serão responsáveis pela produção e distribuição de filmes avaliados pelos próprios usuários.
Isso pode gerar dúvidas sobre a autonomia das críticas e dos sistemas de recomendação.
O cofundador Matthew Buchanan mantém o direito de vetar uma eventual venda, mecanismo criado para proteger as características originais da comunidade e evitar uma comercialização excessiva.
Publicidade e assinaturas sustentam o negócio
Atualmente, o Letterboxd obtém a maior parte de sua receita por meio de publicidade e assinaturas pagas.
A plataforma oferece o plano Pro, de US$ 19 anuais, e o Patron, de US$ 49 por ano, que disponibilizam recursos adicionais aos usuários.
Em dezembro de 2025, o serviço também lançou uma plataforma de aluguel de filmes raros, ampliando suas possibilidades de receita.
Para 2026, a projeção de faturamento é de aproximadamente US$ 15 milhões. A avaliação superior a US$ 300 milhões representa cerca de 20 vezes essa estimativa.
Futuro do Letterboxd permanece indefinido
Apesar do interesse de grandes empresas, nenhuma aquisição foi anunciada oficialmente, e não existe um prazo definido para a conclusão das negociações.
O principal desafio será conciliar a expansão comercial com a preservação da comunidade que tornou o Letterboxd popular.
A possível venda também evidencia o valor crescente das plataformas digitais especializadas, capazes de reunir milhões de usuários em torno de interesses compartilhados e oferecer novas oportunidades para os mercados de mídia, publicidade e entretenimento.




