Mercado publicitário teme perdas bilionárias com possível proibição das bets no Brasil

O mercado publicitário brasileiro acompanha com preocupação a possibilidade de o Governo Federal editar uma medida provisória para restringir ou proibir a atuação das plataformas de apostas e jogos online no País.

Segundo informações divulgadas em 25 de setembro de 2026, o governo avalia medidas que podem atingir tanto as operações das empresas quanto suas atividades publicitárias. A possibilidade de uma proibição abrangente gerou preocupação entre agências, veículos de comunicação, clubes de futebol e organizadores de eventos.

Bets investiram quase R$ 3 bilhões em publicidade em 2025

As empresas de apostas se consolidaram entre os principais anunciantes do Brasil nos últimos anos, com presença expressiva na televisão, nas plataformas digitais e nas transmissões esportivas.

De acordo com dados do Ibope Advertising Intelligence, 15 empresas do setor investiram aproximadamente R$ 2,97 bilhões em compra de mídia em 2025, contra R$ 2,09 bilhões em 2024.

Entre os principais anunciantes estavam Betano, Betnacional, BetMGM, Superbet e Bet365.

O crescimento dos investimentos fez das plataformas de apostas uma importante fonte de receita para veículos de comunicação e agências publicitárias.

Agências e emissoras temem perda de receita

Profissionais do mercado ouvidos pelo Meio & Mensagem demonstraram preocupação com os impactos financeiros de uma eventual proibição.

A avaliação desses executivos é que a interrupção dos contratos poderia provocar uma queda imediata nas receitas de empresas de comunicação, especialmente emissoras de televisão e plataformas digitais.

Agências que estruturaram equipes específicas para atender operadoras de apostas também poderiam precisar reorganizar suas operações.

A Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap) informou que acompanha as discussões e aguarda a publicação do texto oficial para avaliar seus possíveis efeitos econômicos.

Clubes de futebol também podem ser afetados

O impacto de uma eventual restrição não ficaria limitado às empresas de comunicação.

As plataformas de apostas também estão entre as principais patrocinadoras do futebol brasileiro, com contratos que incluem exposição nas camisas dos clubes e ações comerciais.

Segundo o levantamento apresentado na reportagem, 13 dos 20 clubes da Série A possuíam empresas de apostas como patrocinadoras principais.

Representantes do setor esportivo manifestaram preocupação com a possibilidade de perda desses recursos e com as dificuldades para substituir os contratos existentes.

Transmissões esportivas e eventos entram na discussão

Grandes eventos e plataformas de transmissão também mantêm relações comerciais com o setor.

Empresas como Bet365, Betnacional, KTO, Superbet, BetMGM e Betano participaram de projetos de patrocínio relacionados à transmissão da Copa do Mundo de 2026.

No entretenimento, marcas de apostas também investiram em festivais como Rock in Rio e Lollapalooza.

Uma eventual proibição poderia exigir a revisão desses contratos e alterar o planejamento comercial de eventos futuros.

Proteção dos consumidores também está no centro do debate

Enquanto representantes do mercado destacam os possíveis efeitos econômicos das restrições, organizações de defesa do consumidor e especialistas em saúde alertam para os riscos associados às apostas online.

Entre as preocupações estão o endividamento das famílias, a dependência em jogos e a exposição de públicos vulneráveis à publicidade.

Empresas do setor, por sua vez, defendem que mudanças abruptas poderiam favorecer plataformas clandestinas e gerar insegurança jurídica.

Setor aguarda definição das novas regras

Até a publicação da reportagem, em 25 de setembro, o texto definitivo da medida provisória ainda era aguardado.

A extensão das restrições e as eventuais regras de transição serão determinantes para avaliar seus efeitos sobre os contratos existentes.

O debate evidencia a participação que as empresas de apostas conquistaram no financiamento da mídia e do esporte brasileiro, ao mesmo tempo que coloca em discussão os mecanismos de proteção dos consumidores e os limites da publicidade desse mercado.

Verificação editorial, fora do artigo: reportagem do Meio & Mensagem de 25 de setembro de 2026 e cobertura sobre a proposta de medida provisória